Pesquisa sugere nova versão para evolução
social dos primatas, segundo a qual nossos ancestrais teriam deixado a
vida solitária para viver em grupos como forma de adaptação à mudança de
seus hábitos noturnos para diurnos.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 09/11/2011
|
Atualizado em 10/11/2011
A transição da vida solitária para a vida em sociedade entre
os grandes primatas teria sido causada pela mudança de hábitos noturnos
para diurnos. (foto: E.K./ CC BY- SA 3.0)
O homem é um animal social, mas não foi sempre assim com seus
ancestrais. Muitas teorias tentam explicar o motivo pelo qual os
primatas deixaram a vida solitária para formarem grupos. Agora, uma
pesquisa das universidades de Oxford, na Inglaterra, e Auckland, na Nova
Zelândia, usa métodos estatísticos para sugerir que o primeiro passo na
direção das sociedades se deu quando os grandes primatas (Hominidae)
mudaram seus hábitos noturnos para diurnos, há 52 milhões de anos.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores se debruçaram sobre as árvores genealógicas de 217 espécies de primatas. Por meio de um método de análise estatística e com base nos dados já conhecidos sobre o comportamento de uma parte dessas espécies, eles geraram modelos para determinar quais cenários eram mais prováveis.
As lacunas deixadas pelas espécies cujo modo de vida é ainda desconhecido foram preenchidas com diferentes possibilidades – como vida solitária, em grupo de machos e fêmeas, em casal e em harém.
O modelo de evolução social que se mostrou mais plausível indicou que os primatas fizeram a transição da vida solitária diretamente para os grandes grupos e, depois, há cerca de 16 milhões de anos, para modelos mais complexos como a vida em casal ou em harém.
Segundo o estudo, a formação desses primeiros grupos coincidiu com o momento em que provavelmente os primatas adquiriram hábitos diurnos. A coincidência não teria sido aleatória. Os pesquisadores acreditam que a vida em sociedade surgiu justamente como uma adaptação ao novo estilo de vida.
Depois de analisar o novo modelo de evolução social, os pesquisadores perceberam ainda que espécies antigas tendiam a se organizar do mesmo modo que suas descendentes, independentemente do local onde viviam. Os babuínos, por exemplo, demonstram ainda hoje o mesmo padrão de vida em grupo, ainda que habitem diferentes locais do planeta.
Os resultados do estudo vão contra as teorias mais aceitas para explicar a evolução social dos primatas. A maioria delas afirma que os grupos sociais complexos se formaram a partir da reunião de grupos menores, com o passar do tempo. Outra teoria bastante aceita, que também é contrariada pela nova pesquisa, é a de que o laço materno entre mães e filhas teria sido o elemento responsável pela formação desses grupos sociais.
“Esse estudo se detém pouco nas circunstâncias ecológicas que poderiam levar às mudanças na estrutura social dos primatas e foca mais em uma análise histórica dos padrões sociais”, explica. “O fato de uma espécie exibir um determinado comportamento social também pode ser entendido a partir das circunstâncias em que ela vive e não só da sua ancestralidade.”
Shultz ressalta que a pesquisa não pode ser encarada como prova de
nada, mas apresenta um novo cenário mais embasado para a história da evolução da vida social dos primatas.
“Um dos grandes desafios de se tentar entender como os nossos ancestrais viviam é que o comportamento não é fossilizado”, pontua Shultz. “Nós tentamos construir histórias plausíveis de como esses indivíduos se comportavam, socializavam e viviam. Embora a nossa abordagem não possa conclusivamente reconstruir o comportamento das espécies fossilizadas, ela oferece outra ferramenta para trazê-lo à vida.”
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores se debruçaram sobre as árvores genealógicas de 217 espécies de primatas. Por meio de um método de análise estatística e com base nos dados já conhecidos sobre o comportamento de uma parte dessas espécies, eles geraram modelos para determinar quais cenários eram mais prováveis.
As lacunas deixadas pelas espécies cujo modo de vida é ainda desconhecido foram preenchidas com diferentes possibilidades – como vida solitária, em grupo de machos e fêmeas, em casal e em harém.
O modelo de evolução social que se mostrou mais plausível indicou que os primatas fizeram a transição da vida solitária diretamente para os grandes grupos e, depois, há cerca de 16 milhões de anos, para modelos mais complexos como a vida em casal ou em harém.
Segundo o estudo, a formação desses primeiros grupos coincidiu com o momento em que provavelmente os primatas adquiriram hábitos diurnos. A coincidência não teria sido aleatória. Os pesquisadores acreditam que a vida em sociedade surgiu justamente como uma adaptação ao novo estilo de vida.
Shultz: “Os primatas passaram a viver em grupos
para própria proteção, pois um indivíduo sozinho à luz do dia seria alvo
fácil para predadores”
“Esses primatas passaram a viver em grupos para própria proteção,
pois um indivíduo sozinho à luz do dia seria alvo fácil para os
predadores”, explica a líder do estudo Susanne Shultz, antropóloga da Universidade de Oxford.Depois de analisar o novo modelo de evolução social, os pesquisadores perceberam ainda que espécies antigas tendiam a se organizar do mesmo modo que suas descendentes, independentemente do local onde viviam. Os babuínos, por exemplo, demonstram ainda hoje o mesmo padrão de vida em grupo, ainda que habitem diferentes locais do planeta.
Os resultados do estudo vão contra as teorias mais aceitas para explicar a evolução social dos primatas. A maioria delas afirma que os grupos sociais complexos se formaram a partir da reunião de grupos menores, com o passar do tempo. Outra teoria bastante aceita, que também é contrariada pela nova pesquisa, é a de que o laço materno entre mães e filhas teria sido o elemento responsável pela formação desses grupos sociais.
- Macacos-caranguejeiros (‘Macaca fascicularis’) são um exemplo de grandes primatas que até hoje vivem em grandes grupos mistos de machos e fêmeas. (foto: Roy Fontaine)
“Esse estudo se detém pouco nas circunstâncias ecológicas que poderiam levar às mudanças na estrutura social dos primatas e foca mais em uma análise histórica dos padrões sociais”, explica. “O fato de uma espécie exibir um determinado comportamento social também pode ser entendido a partir das circunstâncias em que ela vive e não só da sua ancestralidade.”
Flexibilidade social
Shultz ressalta que a pesquisa não pode ser encarada como prova de
nada, mas apresenta um novo cenário mais embasado para a história da evolução da vida social dos primatas.“Um dos grandes desafios de se tentar entender como os nossos ancestrais viviam é que o comportamento não é fossilizado”, pontua Shultz. “Nós tentamos construir histórias plausíveis de como esses indivíduos se comportavam, socializavam e viviam. Embora a nossa abordagem não possa conclusivamente reconstruir o comportamento das espécies fossilizadas, ela oferece outra ferramenta para trazê-lo à vida.”
Shultz: “Um dos grandes desafios de se tentar entender como os nossos ancestrais viviam é que o comportamento não é fossilizado”
Ao esclarecer determinados aspectos da evolução
dos nossos parentes mais próximos, a pesquisa também ajuda na
compreensão do comportamento social dos primeiros humanos. Segundo a
pesquisadora, nós somos a única espécie que desenvolveu mais de um modo
de estrutura social, incluindo a poligamia, a monogamia, as famílias
nucleares e as estendidas (compostas por várias famílias nucleares
vivendo juntas).
“É incrível como o homem é flexível em sua maneira de se socializar e viver junto nas mais diferentes sociedades”, diz Shultz. “Nenhum outro primata tem essa flexibilidade, que nos permite lidar com e responder a uma grande variedade de condições ambientais.”
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
“É incrível como o homem é flexível em sua maneira de se socializar e viver junto nas mais diferentes sociedades”, diz Shultz. “Nenhum outro primata tem essa flexibilidade, que nos permite lidar com e responder a uma grande variedade de condições ambientais.”
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
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